segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Apenas uma explicação

Meus caros amigos, Depois de grande ausência, eis que consigo retornar a este veículo de comunicação. A paragem foi, apenas e só, devido à pesquisa necessária para o meu próximo romance, e mais não digo. Nós, os operários das letras, que vivemos sem apoios e não somos amigos da República (ou de quem a explora) temos que trabalhar, quais formigas, para alcançar os nossos objetivos. E o trabalho, realmente, engrandece, pois, o resultado do nosso esforço, na maioria das vezes, é emocionalmente compensador. Se há dinheiro... isso é outra história. Depois de um ano de investigação e pastas repletas de informações, eis que chega o momento de organizar tudo e começar a elaborar as cenas que irão compor o Sonho. As jornas serão sucessivas, bem como a vontade de ver em todos os escaparates o resultado do meu esforço. Vamos ver o que nos reserva a imaginação, para contrabalançar com a realidade. Bem hajam, leitores amigos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ESPERO POR TI EM LUANDA

Neste próximo mês de julho chega a todas as livrarias portuguesas o meu mais novo livro: ESPERO POR TI EM LUANDA.

Este romance, que inaugura um novo ciclo em minha vida, é edição da conceituada CLUBE DO AUTOR e traz em si a cadência de uma vida jovem, a batida de um coração solitário e emotivo e, principalmente, o ritmo de uma época que já não existe.

O lançamento será na livraria Bertrand, no Chiado, em Lisboa, a 16 de julho.

É caso para dizer: Espero por Si na Bertrand.


sábado, 7 de março de 2015

Fernando Rocha[1]


Quando, em 2009, Fernando Rocha convidou-me para ser o candidato, pelo Bloco de Esquerda, à presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, o fez com a plena convicção de que seria muito difícil arranhar sequer o verniz com que a Direita cobria todo o concelho caldense. Sem nos preocuparmos com isso, de cabeça erguida, juntamos um excelente grupo de trabalho que, a par do PSD, conseguiu concorrer a todas as freguesias. O resultado, para o Bloco de Esquerda, foi histórico. Apesar de perder a Câmara Municipal, conseguiu eleger diversos camaradas e, entre eles, o próprio Fernando Rocha (para a Assembleia Municipal).


O povo vota por conveniência. Há muito que não o faz por ideologia. E o concelho caldense vive pela Direita e para a Direita, por interesses muito particulares. Será muito difícil, sem a união de todos os partidos de Esquerda, criar condições para mudar o rumo político da cidade (hoje uma pálida sombra da majestosa Caldas da Rainha de outras épocas. Culpa de uma política de Direita, sem um projeto político coerente para com as necessidades da própria urbe).


O Fernando Rocha foi sempre um exemplo de dignidade e honestidade. Nunca, em momento algum, as nossas ideias colidiram. Ambos de Esquerda - ele mais radical do que eu - sempre propugnamos por um projeto político pautado na Cultura e na Educação. Foi um lutador incansável, um humanista nato, um idealista dos maiores e um visionário. Morreu cedo demais, como morrem os que logram alguma coisa dizer. Possuo uma dívida de gratidão política para com ele, meu amigo sincero, que me fará falta no conselho acertado, na busca da justiça, no semear de altos e raros valores.


O meu amigo Fanana, ou Xexéu, parecia ter saído das Cenas da vida boémia, de Murger. Acompanhado no dia-a-dia pela trilha sonora de Giacomo Puccini, possuía uma dimensão atemporal, profunda, conseguindo unir os seus ideais às necessidades de sua região (pena que poucos o ouviram). A política, a arte e o insuportável cigarro eram os seus vícios. Suas fronteiras boémias casavam-se com as de Balzac, Modigliani, Rimbaud e Baudelaire, tendo ascendência direta em desejos de transformações, principalmente as sociais. O seu mundo era intenso e criativo, diria até: explosivo. Sempre com o fito de deixar para os outros um planeta melhor. A sua crença era a esperança, a benevolência a sua ventura, aquém da sina, mas além do Destino!


As suas utopias eram sãs, enraizadas na noção de civilização ideal, embaladas por um extenso projeto humanista com base num sistema social justo e perfeito, equilibrado e coerente. Tendo como um de seus mitos, o escritor Thomas Morus, o meu amigo Fanana desejava o tal lugar novo e puro, ocupado por uma sociedade irrepreensível (os Utopianos), conjeturando então o mais puro dos socialismos, aquele que não se pratica em nenhum ponto do globo terrestre, embasado por um imenso empenho ideólogo e funcional de racionalidade.


Despedir-me do Fernando Rocha, o infatigável e irreverente Fanana, ou Xexéu, é uma tarefa difícil. Que a Imortalidade seja sua companheira!


[1] Fernando António da Costa Rocha (*Caldas da Rainha, 12 de outubro de 1947 + Caldas da Rainha, 23 de fevereiro de 2015).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Desconstruindo um País





O ser humano atualmente não consegue perceber o mundo que o rodeia. O seu pensamento foge sempre para lugares comuns, incentivado por políticas de esquecimento. Quanto mais estupidez – fornecida por meio de comunicação e Governo - a envolver o dia-a-dia de cada um, melhor, pois, assim, o pensamento deixa de ser importante, caindo em desuso. Como resultado temos uma quantidade enorme de pessoas que caminham sob pernas que não são as suas e utilizam raciocínios que não são os seus. Como prova disto temos a classe política dominante, um manancial de Nada, eleito por pressão psicológica, carneirismo barato e estupidez generalizada.


Uma parcela, mínima de facto, consegue perceber as teias que emaranham a vida e, com frustradas tentativas, repetem gestos de rompimento com a feudalidade atual, porém, como não fazem parte de sistemas corrompidos e corroídos, naturalmente, ficam pelo caminho.


Este ser humano sem eira nem beira, que vota, e que discute por vazios, é perfeitamente manipulável, sendo, com a maior facilidade, a “carne apetecida” dos vigaristas e chico-espertos que enxameiam os cargos públicos.


Uma horda de políticos sem preparo, de nenhuma espécie, senta-se em cadeiras de decisão. Homens e mulheres que não possuem o mínimo conhecimento do que são ideais e ideologias, que não entendem a diferença em ser-se de Direita ou de Esquerda, estão apenas, e só, com interesses financeiros, pouco se importando com o cargo que assumiram ou com a população que neles votou.


A carneirada segue firme no seu propósito, que é o de lamber bem as botas do político que mais promessas lhes fez, pois, quem sabe, depois de eleito, caia-lhes nas mãos um empreguito, daqueles em que não é necessário trabalhar.


Tudo leva a crer que, esse ser humano que não consegue perceber o mundo que o rodeia, está pouco se importando com esse mesmo mundo. E, de eleição em eleição, de asneirada em asneirada, vai sendo cúmplice da desconstrução de um país. Até que chegamos ao absurdo de ouvir frases de efeito, entoando cânticos ao retorno dos militares ao poder, tanto no Brasil quanto em Portugal.


Triste sina, a dos que possuem o mínimo de honestidade e discernimento.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Museu José Malhôa


O Museu José Malhôa, nas Caldas da Rainha, está a iniciar uma nova fase. Um momento de ressurgimento, de metamorfose, tão ansiado por inúmeros admiradores do imenso pintor.

Aquela Casa vive agora os primórdios de um novo esplendor, com um dinamismo - até então inexistente - alicerçado na força intelectual daquelas abelhas operosas que vivem o seu dia-a-dia. E são muitas, e muito bem conduzidas.

Logo ao entrar vislumbramos a imagem do claustro e, nele, a herma solene e austera do melhor pintor de Portugal. Percebemos, então, o que nos aguarda, a sobriedade inaudita que repousa em suas paredes e em seus corredores, elevados nomes, da pintura e da escultura, consagrados em suas épocas e respeitados, perpetuamente, por seu talento. A par disso, encontramos inúmeras obras do Patrono do Museu: óleos sobre tela, desenhos a carvão e desenhos a pastel.

Que honra para a cidade das Caldas da Rainha, em possuir tão elevada instituição de cultura. O Museu José Malhôa nasceu com dimensão nacional e é o primeiro museu em Portugal, e dos primeiros na Europa, cujo edifício foi construído expressamente com fins museológicos. É, também, o único museu lusitano representativo do Naturalismo em solo português. Com um significativo núcleo de obras de José Malhôa, merece ser visitado, contemplado e bem divulgado (está há anos na obscuridade, e poucos são aqueles que ao percorrerem o concelho se apercebem da existência desse espaço museológico, repositório de tanta riqueza pictórica e escultórica).

O visitante do Museu José Malhôa encontra, além da boa educação e excelente atendimento de todos os que ali exercem sacerdócio, uma Biblioteca que, a meu ver, deveria ser um repositório sobre o Mestre, porém, a mesma quase nada possui a seu respeito. Se quisermos ler sobre José Malhôa a literatura disponível é mínima. E a que existe em arquivos, considerada pesquisa de apoio, não está em condições de ser manuseada pelo público, pois, não foi, até então, devidamente catalogada e protegida dos amigos do alheio.

A nova e atual direção, enquanto estiver em funções, possui qualidade suficiente para reestruturar o acervo literário de José Malhôa, para isso necessita encerrar a Biblioteca à visitação pública e iniciar um delicado processo de resgate e catalogação do pouco que possui. A par disso, deve deslocar um de seus melhores investigadores até aos maiores centros de cultura do país, incumbindo-o de adquirir toda a bibliografia que falta. Será um trabalho de fôlego, porém, fundamental para uma Instituição como essa, que ostenta em sua fachada o nome de tão ilustre personalidade.

Sem querer ferir suscetibilidades - pois tenho vários amigos espalhados pelos partidos locais - peço uma gentileza à classe política: afastem-se do Museu José Malhôa. Não me levem a mal, mas, V. Excias em nada podem contribuir para com o crescimento daquela Instituição. O Museu José Malhôa é da população mundial, dos artistas e, principalmente, de todo aquele que ama e venera o Melhor Pintor de Portugal!




sexta-feira, 14 de março de 2014

Mécia Rodrigues


Hoje, faz exatamente dois meses que a cronista e contista Mécia Rodrigues morreu. Como seria do seu agrado, abri um bom vinho tinto e brindei à nossa velha amizade, iniciada no já distante ano de 1983.
 
Tantas semanas passadas e deixei de ouvir o eco das notícias a seu respeito. Ninguém, de tantos que com ela confraternizaram, teceu mais um comentário, ou escreveu uma linha a seu respeito. Nem os seus amigos, nem os seus advogados, nem sequer os curiosos que, através de uma rede social, foram pintalgando frases feitas a respeito da artista, no dia em que esta se foi.
As suas cinzas, o seu acervo literário, o de seu pai, os seus originais, as suas publicações, o seu arquivo, enfim: a sua vida foi deixada de lado. Mécia Rodrigues não deixou herdeiros que façam cumprir as suas vontades.
 
De minha parte, venho, calma e cuidadosamente, a escrever os prefácios e a preparar os volumes que deixou sob minha guarda, para, num dia de felicidade, os publicar, e dar a conhecer a muitos, várias de suas facetas literárias.
 
No dia seguinte à sua morte, algumas pessoas perguntaram-me o que seria do seu blogue. Quem poderia assumir a responsabilidade pela sua continuação. Respondi que aquele veículo de comunicação morrera com a autora. Muitos ficaram escandalizados. Mais chocados ficaram, depois de ouvirem a minha frase seguinte: A Mécia Rodrigues morreu para todos vós. Com o passar dos dias a verdade de um abandono pré-anunciado vai ser realidade. Dito e feito. A Mécia Rodrigues morreu para todos. Morreu porque não deixou fortuna. Morreu porque os livros que publicou em vida não se transformaram em diamantes. Morreu porque a alma humana só é sensível a quem a compra.
O ser humano é assim: pequeno, mesquinho e egoísta. Incapaz de mobilizar-se por outro. A não ser que anteveja lucro. O ser humano, numa só palavra, é simplesmente: Medíocre!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A recuperação do Acervo roubado


É de louvar a atuação das autoridades brasileiras, especialmente as da cidade de Santos que, agindo prontamente, conseguiram recuperar todo o Acervo roubado da Casa Edith Pires Gonçalves Dias/Museu Martins Fontes.

O que, mesmo assim, não me faz mudar de ideias, em relação à doação de todo o meu Acervo, referente ao Poeta-Maior, para a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, pois, a falha técnica que a Casa Edith Pires Gonçalves Dias/Museu Martins Fontes mostrou é muito grave e não pode ser reparada apenas com a boa vontade da Prefeitura Municipal de Santos, que “pretende tomar as rédeas daquela Casa-Museu, fazendo dali um organismo público”. 

A Cultura deve ser levada mais a sério. E, todo o património cultural deve ser avaliado e protegido, para bem das gerações futuras.

Um bem-haja a todos que estiveram envolvidos na recuperação daquele património cultural!