quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Academia das Ciências de Lisboa (2)

Salão Nobre

Academia das Ciências de Lisboa (1)

Tenho que deixar aqui um abraço fraterno a todos aqueles que trabalham diariamente na Academia das Ciências de Lisboa, preservando todas as obras de arte que fazem parte daquela Instituição, de modo a permitir que as futuras gerações venham a conhecer uma boa parcela da cultura portuguesa (e não só) desde uma remota época até este Século XXI.
Lamento o facto do Governo não olhar com mais atenção para aquele património nacional, bem como a grande parcela do povo português desconhecer a existência daquela Casa.
Grandes escritores de Portugal e de outros países passaram por aquelas salas e salões.
Percorrer, hoje, aqueles corredores significa receber na alma toda uma gama de emoções.
Sempre digo aos amigos de Portugal, do Brasil etc: Quando puderem façam o favor de fazer uma visita àquela Casa. Ali moram, adormecidas nas estantes, as obras literárias de grandes romancistas, poetas, filósofos... o máximo que vos pode acontecer é saírem de lá a saber mais alguma coisa... e se esbarrarem com o Ramalho, com o Eça, com o Dantas, não se assustem, pois eles são alguns dos pilares que sustentam aquele belo e histórico edifício. (RC)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CARICATURA POLÍTICA (1)

Vende-se cidade, preço de ocasião
Todas as manhãs, ao acordar, penso ser esse o dia em que, ao passar os olhos pelos jornais diários, encontrarei a notícia: “Vende-se a cidade das Caldas da Rainha, preço de ocasião”. E os caros e respeitabilíssimos leitores desta nobre folha devem estar agora a pensar: “Mas, que raio, o que será que se passa nas Caldas da Rainha para este rapaz ter este tipo de pensamento?”
Pois bem, eu esclareço a vossa dúvida: É muito comum vermos uma cidade que, em gloriosa época, foi apontada como uma das mais aprazíveis da Europa, estar hoje em “petição de miséria”? Não. Creio que não. Uma cidade que já foi uma das coqueluches europeias estaria, provavelmente, a manter o seu nível de qualidade em muitos aspectos, e em outros até a sobrepor-se a qualquer grande Capital, e a ser um ponto de referência a muitos níveis. Quantas há, que, de pequenos burgos nos séculos passados, são hoje metrópoles respeitadas e admiradas em seus países? Centenas. Caldas da Rainha perdeu a sua beleza arquitectónica, perdeu o seu Comércio Tradicional, perdeu o seu Desporto, perdeu a sua Cultura, perdeu a sua Indústria, e mais não destaco quanto a perdas… pois esgotaria a paciência do leitor.
Anos a fio de péssima administração pública, de um passar de mãos sobre a cabeça do povo com promessas de melhorias após as eleições, de um desfilar de interesses pessoais (dos políticos locais) em prejuízo do interesse público. Anos inteiros com a Câmara Municipal a oferecer áreas nobres do concelho para as iniciativas pseudo-importantes para os trabalhadores locais, com promessas de empregos seguros, porém o que se vê, sendo apenas mero incentivo ao emprego precário.
E de produção ninguém fala. O Comércio Tradicional não pode sobreviver se a Indústria não produz. O Desporto não pode vingar se os grandes patrocinadores do passado (sim, o Comércio e a Indústria) estão falidos. A Cultura só poderá existir se houver investimento no talento e na capacitação do meio cultural (ao invés de gastar milhões em elefantes brancos para depois entregá-los de mão beijada a projectos coxos, de pseudo-artistas, de distantes paragens).
Meu amigo leitor, não se admire se um dia encontrar um anúncio num jornal, que traga estes dizeres: “Vende-se a cidade das Caldas da Rainha, preço de ocasião”, pode ser que algum interessado apareça, alguém que não se importe de adquirir bons quilómetros de asfalto com ruínas arquitectónicas pelo meio, e de lambuja algumas largas centenas de pessoas (o tal Zé Povinho), esqueléticas, de chapéu na mão, a pedir a esmola do dia…
No Ponto
Mais uma inauguração extraordinária nas Caldas da Rainha, segundo a imprensa local: “o melhor centro de Badmington do mundo”… Uau… não fizeram por menos. Muito bem. O problema é que agora será apenas para meia dúzia de filiados caldenses e, naturalmente, os familiares da classe política local. Tudo para o bem do Concelho. Mas nem tudo está perdido, pode ser que apareça naquele recinto um Campeonato da Europa, ou um Campeonato do Mundo (não é o melhor?). Então tá. Ficamos a aguardar os melhores no melhor.
Em Banho Maria
Ando aqui curioso com uma coisa: afinal, qual é o destino dos Pavilhões do Parque D. Carlos I nas Caldas da Rainha? Não aceito a resposta de que um novo projecto será feito para descobrirem se é possível ali instalar um museu de cerâmica (essa Indústria faliu nesse Concelho… porém, só se for para expor os falos de barro que – quase – não se vêm na praça central). Bom, sempre se pode contratar ceramistas chineses para desenvolverem belos exemplares idênticos aos que os caldenses ainda imaginam que são eles que fazem…
Requentado
E por falar em projectos: dou os meus sinceros parabéns aos políticos caldenses, pois graças a eles, um bom par de amigos (deles, é claro) encheu os bolsos de dinheiro fácil. Refiro-me às dezenas de “intelectuais” que elaboraram uma infinitude de projectos para salvar a praia da Foz do Arelho da tragédia iminente. Nenhum desses estudos serviu para nada e este ano os banhos de Verão acontecerão na “grande e bela praia de Óbidos”. Mas o povo que se prepare, pois a malta política daquele lado é boa no comércio a retalho, e devem aproveitar para cobrar bilhetes à entrada.