quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Xenofobia


Estamos em pleno século XXI e, em praticamente todo o globo terrestre, continuam a existir terríveis atos de xenofobia. O ser humano ainda não está preparado para olhar para o lado e encontrar ali um irmão. A desconfiança, o medo, a aversão, a antipatia do “eu” pelo todo à sua volta, surge apenas por que esse mesmo “eu” vive na dor permanente e perpétua que tange o medo de não ser!

O planeta Terra morre todos os dias um pouco. Lenta e agonizante está a vida de todas as horas entre os humanos.

Pode, o ser, acreditar que a sua identidade estará perdida se amar o natural de outras terras distantes? Pode, o ser, perder-se na sua identidade, se não admitir outras culturas ou outras crenças?

Em todos os escalões sociais, em todo o mundo, existem atitudes xenofóbicas. Atitudes que lesam, muito mais, o que carrega o preconceito do que o atingido por ele.

Creio que, todo aquele que possui uma atitude menos digna contra um ser humano – seja em palavras, em atos, ou em pensamento – é detentor de uma doença, uma perturbação fóbica. Esta maleita interfere drasticamente nas rotinas diárias e, inevitavelmente, em todos os momentos de socialização desse indivíduo, fazendo com que o mesmo se feche numa concha de ódio contra uma raça, uma cultura ou uma crença.

Existirá solução? Os humanos serão, um dia, fiéis representantes da Bondade, da Caridade, da Complacência e da Compaixão? Não creio! A Humanidade inteira deve tratar-se.

A Terapia Comportamental, desenvolvida pelo médico psiquiatra sul-africano Joseph Wolpe, entre os anos de 1952 e 1958, chegou a ser um bom início no combate à xenofobia. A sua técnica de dessensibilização sistemática trouxe inúmeros resultados positivos, porém, não foi o bastante. Creio que a verdadeira mudança só ocorrerá quando nos grandes centros religiosos, sociais e políticos se iniciar um processo de aproximação de todos para com todos. Levando a cada cabeça uma sentença de paz e de amor ao próximo. Outro dos principais caminhos, creio, será a extinção das fronteiras, onde todo o ser humano possa, sem burocracias, viajar de um lado para o outro, feito abelha, a polinizar, culturas e civilizações, numa troca salutar de experiências e vivências.

Encontrei em vários países um forte teor xenofóbico, porém, o que mais me impressiona é o de Portugal, agravando-se quanto mais para norte viajamos. Chega a cair em extremos, como, por exemplo, recusarem-se a provar determinados alimentos por serem de origem estrangeira.

Lisboa continua a ser multicultural e multifacetada. Tudo ali cabe, porém, não esqueçamos que a primazia sempre está na couve e não no sushi. Felizmente os portugueses que viajam para o exterior antes dos trinta anos de idade, conseguem trazer em si uma gama extraordinária de boa disposição, de valores sociais e culturais e de gostos variados, pois “abriram a mente” para o novo, o experimento, e o que é sinónimo de grande humildade: admitem escutar o que os outros dizem. Isto é uma qualidade admirável. Os de mais idade, que vão para outro país, costumam fechar-se em conchas, em redutos lusitanos, frequentando o comércio dos patrícios e os “eventos culturais” que estes promovem. Na maioria das vezes uma horripilante demonstração de mau gosto musical. Este é um dos grandes motivos por que sempre me afastei dessas festas populares, outro, é a estúpida matança de animais (para o repasto) regada a vários litros de tinto batizado, que fazem questão de degustar durante esses “eventos”.

Acredito que a juventude que sai do país em busca de um futuro mais risonho, um dia, se voltar, trará consigo mais humanidade.

Em Portugal existem manifestas atitudes de exclusão e diferenciação social, que foram sempre mais visíveis durante os regimes fascistas que assolaram o país (e foram muitos, embora a falta de memória lusitana divulgue apenas o período conhecido como Estado Novo, liderado pelo Prof. Dr. António de Oliveira Salazar).

Um dos momentos mais tristes da história de Portugal foi quando o governo, pós 25 de abril de 1974, colocou em prática uma atitude nada digna, diria até fascista, abandonando centenas de portugueses à sua sorte em Angola. Oferecendo, de forma cruel, toda a discriminação, exclusão e diferenciação social que podia, para cima das cabeças dos que vieram dessa ex-colónia. O que fez o povo perante essa atitude? Violentou-se, apoiando o governo português e assumindo taxativamente que os irmãos que passaram pelo infortúnio da guerra angolana eram simples “Retornados”, ou “portugueses de segunda”, que não mereciam apoio de qualquer espécie. Essa recepção negativa foi tão violenta que esses homens, mulheres e crianças ficaram marcados para o resto dos seus dias. Como é do conhecimento geral, os portugueses sempre foram emigrantes, sempre recorreram a outros países para conseguirem melhorar a sua qualidade de vida, seria, pois, natural que, se alguns tivessem de voltar para a sua própria pátria, fossem recebidos como irmãos e não como alguém que vem “roubar o pão de cada dia”. Um claro espelho racista e discriminatório!

Sei de muitos excessos cometidos por uma boa camada desses portugueses que vieram de Angola após aquele 25 de abril de 1974, excessos cometidos ainda em território angolano, sinais de desprezo pelo país e pelo povo que os acolhera, reflexo da pouca cultura e nenhuma educação que possuíam, porém, não mereciam ter sido julgados e condenados como foram.

O desporto poderia ser um ponto de união entre os povos no mundo, infelizmente não é, devido à ganância que o conduz. Ganância que leva à disputa e não há fraternidade.

A cultura poderia ser o maior de todos os sistemas de união entre esses mesmos povos, porém, não é por que os governos sabem que um povo culto é um povo superior, logo, um povo que não se deixa levar por cantilenas, por historietas ou por “conversa para boi dormir”, o que faria com que esses mesmos governos deixassem de ter a importância que julgam ter.

Os países não necessitam de governos. Basta-lhes um povo sábio! Basta que a cultura, a aceitação das religiões existentes e as diversas etnias que nos rodeiam atravessem fronteiras e se mostrem.

Acredito que, quando o planeta Terra entrar no século XXII os povos já terão conseguido compreender o porquê da sua existência e, juntos, iniciado a construção de um “Eu Superior”.

Ao lado de cada um irá morar o irmão fraterno que os ajudará a tanger a lira do Conhecimento e da Igualdade. Nesse momento estaremos unos com o Universo!

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