sábado, 26 de janeiro de 2013


467 anos de história. A minha Santos. Lembro-me dela todos os dias. Será que ela se lembra de mim? Um abraço enorme a todos os santistas. SAUDADES! Parafraseando o Poeta Martins Fontes: "Santos, Suprema Glória da Pátria!".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um agradecimento aos caldenses e um adeus à política local


Caldenses: por motivos pessoais e profissionais fui obrigado a afastar-me das Caldas da Rainha e, portanto, da Comissão Política do Bloco de Esquerda. Neste momento, aproveito a gentileza da imprensa local para vir a público agradecer a todos os militantes e simpatizantes desse partido político, por todo o apoio de que fui alvo aquando das eleições autárquicas de 2009, bem como, por todo o carinho popular recebido até hoje. Agradeço, também, aos opositores políticos, principalmente pela forma polida e gentil com que sempre me trataram, e respeitaram as minhas ideias que, evidentemente, foram, são e serão sempre para benefício desse concelho, bem como de todos os seus cidadãos.

O Bloco de Esquerda das Caldas da Rainha segue agora um novo rumo, de forma organizada, com intensa actividade na região e com grande aproximação à população local. A maneira, às vezes rigorosa e aguerrida, com que alguns bloquistas tomam a frente em determinados assuntos, que, sem dúvida, são do interesse da população, é para uma maior tentativa de afirmação política num concelho em que, devido ao baixo esclarecimento político popular, as cores partidárias são as mesmas há mais de vinte anos.

É necessário renovar, para transformar Caldas da Rainha num concelho moderno e evoluído. Esta cidade tem passado por situações muito delicadas, entre elas: o abandono do património arquitectónico, o triste fado a que foi votada a indústria e o comércio, a letargia que domina a educação e a cultura, e o claro desinteresse institucional e popular pela salvaguarda da riqueza termal da região.

A juventude que se tem aproximado do Bloco de Esquerda nestes últimos meses leva-me a acreditar que em menos de dez anos será possível mudar o rumo político da região. Porém, continuo a afirmar que, se este partido, organizado como está, juntar forças com outros partidos e movimentos de Esquerda, muito antes desse tempo previsto, essa mudança poderá ocorrer. Para isso, é necessário que toda essa Esquerda deixe de lado a arrogância e a altivez que a costuma nortear e passe a pensar e a agir, em conjunto, para o todo.

Portugal está, política e socialmente, falido, e a culpa tanto é da Direita quanto da Esquerda. Agora, é necessário repensar, de modo mais honesto, a forma de gerir o país. Infelizmente não vejo, a nível nacional, como isso possa acontecer, pois a vilania que toma conta da mente das hostes governamentais, ao invés de trabalhar pela recuperação, está a enterrar cada vez mais a nação.

Falando apenas no âmbito regional: nas Caldas da Rainha, somente com o apoio ao comércio, à indústria, e ao termalismo se pode sair da crise, evoluir, procurando reanimar os setores citados para mexer com a economia local e, aí sim, gerar postos de trabalho. Sou apologista do fortalecimento desses sectores no campo privado, indo, às vezes contra algumas ideias cegas da Esquerda, que julga que quando o empresário, ou o comerciante, está fortalecido, o trabalhador está enfraquecido. Esse é um pensamento errado por parte dessa Esquerda obcecada. Essa Esquerda que deveria unir forças para mudar o destino político do concelho.

Será utopia da minha parte querer ver a Esquerda caldense a trabalhar para o mesmo objetivo? Será que a pequenez das cabeças políticas da região não lhes permite fazer um exercício de humildade para, juntos, optarem por um candidato apenas? A Esquerda caldense possui bons nomes para se formar uma lista única. Será utopia da minha parte querer isso? Não creio. O que está em jogo é a vaidade e a inveja humana, e nisso o português é o primeiro do mundo. Mas, com isso, não vai a lugar nenhum. Como se tem visto.

A nível nacional, acredito numa nova forma de pensar a política, com outros valores, sem objetivos escusos, sem ganância, sem jogos de interesse. Somente uma transformação radical poderá fazer deste país uma grande nação. Somente uma mudança, de fundo, iniciada em cada pequena aldeia, vila e cidade, poderá fazer com que o país volte ao caminho da riqueza e da prosperidade. É necessário reorganizar os concelhos (em alguns casos juntar dois ou três na mesma Câmara), é urgente que se elimine as “gorduras” que, de facto, geram crise e desemprego, entre elas, sem dúvida, executar o corte radical nos subsídios, e vários outros benefícios dos que estão no poder, é urgente que se “enxugue a máquina governamental”, eliminando cargos de assessoria que não servem para nada, que se acabe com a frota automobilística caríssima que transporta os senhores deputados, ministros, presidente da República, é fundamental que se acabe com o político de carreira, um ser mais para verme do que para humano, que vem corroendo a espinal medula do país, alimentando-se fartamente à custa do pobre.

As passeatas e os comícios são muito bons, porém, apenas quando se tem, no fim do percurso trilhado, coragem suficiente para se tomar o poder. E está mais do que visto: coragem para enfrentar/mudar o destino político do país através de uma Revolução “a sério”, é algo que o povo português não tem, agarremo-nos então à possibilidade do voto, coerente, honesto, desinteressado e, acima de tudo, corajoso.

Um grande exercício mental deve ser feito para – pelo menos isso – o povo ter coragem para votar numa mudança radical. Somente o voto pode mudar Portugal. E este é um ano de eleições, e eleições que podem dar início a uma transformação, à afirmação do desejo de cada português: o de conseguir viver de forma digna. O meu voto será pela mudança.

domingo, 6 de janeiro de 2013

FRANÇA JR.


Joaquim José da França Júnior nasceu no Rio de Janeiro a 19 de abril de 1838. Era filho de Joaquim José da França e da Sra. D. Mariana Inácia Vitovi Garção da França, e fora casado com a Sra. D. Clotilde de França, não deixando descendentes. Era Bacharel em Humanidades e Letras pelo afamado Colégio Pedro II (1853 a 1856) e em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (1858 a 1862). A sua carreira de dramaturgo teve início no ano de 1861 com duas comédias de costumes académicos: Uma República Modelo e Meia Hora de Cinismo.

França Júnior revelou-se um grande continuador de Martins Pena, o que o tornou, cronologicamente, o segundo mais importante autor do teatro brasileiro. E, assim como Martins Pena, também redigiu para o tablado farsas de costumes e sátiras políticas, que se tornaram grandes sucessos. A 10 de maio de 1862 estreou em São Paulo a comédia Tipos da Atualidade, que ficou popularmente conhecida como O Barão de Cutia, graças à reputação da personagem com o mesmo nome, um fazendeiro rico que uma viúva interesseira desejava desesperadamente ter por genro. França Júnior fez das suas farsas diminutas caricaturas, de aparências diversas do quotidiano e da estirpe fluminense. Em 1863, no Rio de Janeiro, integra-se ao grupo de redatores do Bazar Volante, a substituir o Dr. António de Castro Lopes, utilizando o pseudónimo de Osíris.

Em 1864, publica na Cidade Maravilhosa a comédia Ingleses na Costa. Em 29 de abril de 1867 inicia colaboração n’O Correio Mercantil, ali escrevendo até 26 de julho de 1868. Compôs, também, para a Gazeta de Notícias, O Globo Ilustrado, O País (coluna Ecos Fluminenses), Gazeta da Tarde, Vida Fluminense e O Globo.

A 6 de agosto de 1868 torna-se Secretário da Presidência do Estado da Bahia, a convite do seu presidente, Bento Maria Targini (Barão e depois Visconde de São Lourenço), permanecendo no cargo até o dia 7 de novembro de 1871. Durante este mesmo ano vai à cena, de sua autoria, Amor com Amor se Paga, O Defeito de Família e Direito por Linhas Tortas. No ano de 1873 atua como membro da comissão que representa o Brasil na Exposição Universal de Viena, sendo responsável pela secção de Belas Artes, da qual escreve um relatório sobre pintura e escultura, depois editado em opúsculo com o título Relatório sobre a pintura e estatuária. Este, atualmente, é raríssimo, sendo mesmo peça de colecionador. A 3 de junho daquele ano é agraciado com a Ordem da Rosa e com a Cruz de Cavaleiro da Ordem de Francisco José, da Áustria.

Em 1875 é representada, de sua autoria, a peça Trunfo às Avessas, no Teatro Fénix Dramática, no Rio de Janeiro. A 18 de maio, desse mesmo ano, A Província publica comentários seus sobre a ópera Un Ballo in Maschera, que o mesmo assiste na cidade de São Paulo.

Em 1876, afirmou que abandonaria a literatura dedicando-se exclusivamente à pintura. No ano seguinte publica a comédia Entrei para o Clube Jácome. Em 1878 é lançado, em volume, os Folhetins, com prefácio de Alfredo Mariano de Oliveira. Em maio desse ano embarca para Paris como correspondente da Gazeta de Notícias, para escrever algumas gazetilhas sobre a Exposição Internacional de Paris. Por volta do ano de 1880 frequenta, como aluno, a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), no Rio de Janeiro. Em 1881 é representada no Teatro de São Pedro, na Cidade Maravilhosa, a comédia, de autoria de José Fogliani, com tradução de França Júnior, Os Candidatos. A 14 de abril de 1882 é representada no Rio de Janeiro, no Teatro Recreio Dramático, a comédia Como se fazia um Deputado. A 20 de julho, na mesma sala de espetáculos, apresenta Caiu o Ministério. Quase ao fim desse ano estreiam as peças: Três Candidatos e Um Carnaval no Rio de Janeiro. Em 1883, publica Dois proveitos em um saco. A 25 de janeiro do ano seguinte leva à cena a comédia De Petrópolis a Paris, no Teatro Recreio Dramático. E aqui, decide colocar um fim à carreira literária.

Cinco anos depois, em 1889, Arthur Azevedo convence-o a voltar a escrever e publicar. Nesse interregno aproveitou para aperfeiçoar a sua técnica pictórica, estudando com Hipólito Boaventura Caron (*Resende, RJ, 1862 + Juiz de Fora, MG, 1892), na Academia Imperial de Belas Artes.

A Obra Literária de França Júnior fortalece a tradição burlesca do teatro brasileiro e caracteriza-se pela ligeireza do diálogo breve, das peças em um ato, com fala coloquial, exercício cénico célere, anfibologias e enorme conhecimento de cadência teatral.

Além de comediógrafo, pintor, advogado, político, jornalista e Secretário do Governo Provincial da Bahia, França Júnior exerceu o cargo de Adjunto da Promotoria Pública da Corte e, posteriormente, Curador Geral e Juiz de Órfãos e Ausentes da Segunda Vara de Órfãos do Rio de Janeiro (1888). Além das já citadas publicações deixou ainda: O tipo brasileiro (1872), As Doutoras (1889), Beijo de Judas, Portugueses às direitas (1890), Maldita parentela, A lotação dos bondes, Política e Costumes, Bendito chapéu, Duas pragas familiares, Em Petrópolis e Os provincianos em Lisboa. A maioria destes títulos foi reunida em dois volumes intitulados: Teatro de França Júnior, no ano de 1980 e editados pela Funarte – Fundação Nacional de Artes.

Joaquim José da França Júnior, Patrono da Cadeira nº 12 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Urbano Duarte de Oliveira (*Lençóis, 2 de janeiro de 1855 + Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1902), morreu em Poços de Caldas, MG, a 27 de setembro de 1890.