sexta-feira, 14 de março de 2014

Mécia Rodrigues


Hoje, faz exatamente dois meses que a cronista e contista Mécia Rodrigues morreu. Como seria do seu agrado, abri um bom vinho tinto e brindei à nossa velha amizade, iniciada no já distante ano de 1983.
 
Tantas semanas passadas e deixei de ouvir o eco das notícias a seu respeito. Ninguém, de tantos que com ela confraternizaram, teceu mais um comentário, ou escreveu uma linha a seu respeito. Nem os seus amigos, nem os seus advogados, nem sequer os curiosos que, através de uma rede social, foram pintalgando frases feitas a respeito da artista, no dia em que esta se foi.
As suas cinzas, o seu acervo literário, o de seu pai, os seus originais, as suas publicações, o seu arquivo, enfim: a sua vida foi deixada de lado. Mécia Rodrigues não deixou herdeiros que façam cumprir as suas vontades.
 
De minha parte, venho, calma e cuidadosamente, a escrever os prefácios e a preparar os volumes que deixou sob minha guarda, para, num dia de felicidade, os publicar, e dar a conhecer a muitos, várias de suas facetas literárias.
 
No dia seguinte à sua morte, algumas pessoas perguntaram-me o que seria do seu blogue. Quem poderia assumir a responsabilidade pela sua continuação. Respondi que aquele veículo de comunicação morrera com a autora. Muitos ficaram escandalizados. Mais chocados ficaram, depois de ouvirem a minha frase seguinte: A Mécia Rodrigues morreu para todos vós. Com o passar dos dias a verdade de um abandono pré-anunciado vai ser realidade. Dito e feito. A Mécia Rodrigues morreu para todos. Morreu porque não deixou fortuna. Morreu porque os livros que publicou em vida não se transformaram em diamantes. Morreu porque a alma humana só é sensível a quem a compra.
O ser humano é assim: pequeno, mesquinho e egoísta. Incapaz de mobilizar-se por outro. A não ser que anteveja lucro. O ser humano, numa só palavra, é simplesmente: Medíocre!