sexta-feira, 25 de maio de 2012

LUTO CULTURAL

Foi com profunda tristeza que ontem, ao final da tarde, fui informado pelo Senhor Rui Nascimento através de rápida troca de mensagens, que, este, seria obrigado, devido à crise nefasta que assola Portugal, a encerrar as suas atividades de livreiro alfarrabista. Confesso que não me espanta ver mais um amante de livros e autores a cair por terra devido à má gestão do governo, que teima em acabar com o comércio (e a indústria) através dos pesados encargos que são, qual máquina mortífera, uma perigosa arma na mão de incautos e imaturos políticos (desde o 25 de abril de 1974 que essa classe vem minando o país de maneira vil e traiçoeira). 
Ver "A Barateira" a fechar portas entristece-me profundamente, não poder mais dedicar algumas horas quinzenais a uma conversa franca e salutar com uma das maiores inteligências portuguesas deixa-me de luto, saber que tudo vem acontecendo de modo violento contra a população e essa mesma população a tudo assiste, confortavelmente sentada na sala de sua residência, à espera "que alguém tome providências para salvar o país" faz-me acreditar que a única saída possível para a crise é uma passagem de avião.
D. Sebastião está morto. O nevoeiro anunciado há muito que desapareceu... Ninguém poderá salvar uma nação em declínio absoluto se o seu veículo de combate for um sofá e a sua arma for o comando da televisão!
Nenhum país poderá mudar - verdadeiramente - o rumo político se o povo continuar a negar o seu poder de voto.
Até quando? 
Estou de luto. A cultura portuguesa está cada vez mais pobre.