O Brasil viveu um dia épico a 25 de Outubro de 2026, quando milhões de cidadãos regressaram às urnas para decidir quem ocuparia o Palácio do Planalto nos quatro anos seguintes. À superfície, dois candidatos disputavam a Presidência da República. Sob essa aparência eleitoral, confrontavam-se concepções profundamente divergentes do poder, da autoridade e da própria liberdade política. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, derrotando Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21%. A diferença, pouco superior a quatro milhões de votos, decidiu o resultado. Não vejo nesta eleição uma simples disputa entre a Esquerda e a Direita. Essa classificação, útil para distinguir programas económicos, tradições ideológicas e diferentes compreensões da sociedade, torna-se insuficiente quando está em causa a natureza do poder e a possibilidade de o limitar. Na minha leitura, o Brasil enfrentou uma escolha entre a continuidade da ordem constitucional e a expansão de uma corrente...
RUI CALISTO
Ator, encenador, investigador e escritor.