Quando estou nas Caldas da Rainha, surge-me sempre a mesma ideia: os autarcas, os que gerem a cidade e a região, deviam dedicar algum tempo das suas vidas a sair, a olhar para fora. Não por mero prazer, nem para fazer turismo, mas para ver com os próprios olhos como outras cidades vivem, como se organizam, como se protegem, e, acima de tudo, como evitam erros que nós por cá ainda insistimos em repetir. Isto aplica-se, sem dúvida, à Cultura, à Educação, à Arquitetura e aos Transportes Públicos. São áreas que definem uma cidade, que dão forma à vida das pessoas, mas que também castigam quando mal geridas. Na Cultura, viajar é abrir os olhos para o que pode ser feito, para perceber como se cuida do património, como se mistura tradição com modernidade sem destruir identidade. Um mercado antigo, uma rua histórica, um museu ou uma oficina de cerâmica não são apenas espaços para olhar; são lugares vivos, cheios de memórias, de cheiro a pão, a tinta ou a barro, de histórias que se repetem ...
RUI CALISTO
Ator, encenador, professor de Arte Dramática, escritor e jornalista.