A democracia não se mede apenas pelos direitos que proclama, mas também pela forma como os seus representantes lidam com a discordância e respeitam as regras das instituições. O pluralismo político pressupõe a possibilidade de contestar decisões e questionar poderes, mas exige igualmente que essa contestação se processe por meios compatíveis com os princípios que sustentam a vida pública. Foi esta exigência que o episódio ocorrido na Rádio Universidade de Coimbra, a 12 de Outubro de 2026, trouxe para a discussão pública: as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, acompanhadas por militantes do Chega, entraram nas instalações da Associação Académica de Coimbra e interromperam uma emissão em direto, procurando impor uma participação presencial que não estava prevista nas condições estabelecidas pela organização. O sucedido ultrapassa a dimensão de um incidente partidário. Coloca uma questão fundamental da vida democrática: como pode a contestação política exercer-se sem compromete...
RUI CALISTO
Ator, encenador, investigador e escritor.