Faz este ano exatamente quinze anos que surgiu uma conversa com algumas pessoas ligadas ao Caldas Sport Clube sobre a escrita da história da instituição por ocasião do seu centenário, comemorado, como é sabido, em 2016. A reunião decorreu sob aquela solenidade enternecedora, por vezes quase litúrgica, que tantas vezes caracteriza as instituições portuguesas de longa duração: muito entusiasmo sentimental, alguma retórica sobre a “grandeza histórica do clube”, meia dúzia de memórias épicas envolvendo jogos disputados sob chuva torrencial e, inevitavelmente, a convicção quase metafísica de que “a história não pode perder-se”. Concordei inteiramente. O problema começou quando a História deixou de ser abstração patriótica e passou a exigir aquilo que sempre exige quando levada a sério: arquivos, jornais antigos, deslocações, catalogação documental, entrevistas, fotografias, cruzamento de fontes, noites perdidas e uma paciência quase beneditina, dessas que hoje já só se encontram em arqu...
RUI CALISTO
Ator, encenador, investigador e escritor.