Lisboa, Roma ou Paris atravessaram guerras, incêndios, epidemias e mudanças de regime sem perderem a continuidade da sua presença humana. Outras conheceram um destino mais estranho, pois foram abandonadas, esquecidas, apagadas da memória dos povos. Eburobrittium insere-se nesta segunda categoria. Sendo uma das histórias mais fascinantes do património português, não apenas pela arqueologia que revelou as suas ruas, as suas termas ou o seu fórum, mas pela reflexão mais profunda que suscita acerca da memória, da civilização e da própria condição humana, vive agora uma condição pouco interessante. Durante séculos, Eburobrittium existiu apenas como um nome mencionado por Plínio, o Velho ( Gaius Plinius Secundus , 23-79), na sua História Natural , algures entre Collipo [1] e Olisipo [2] . Uma denominação que os eruditos copiavam, comentavam e discutiam, mas que ninguém conseguia situar com segurança no território. Era quase uma abstração. Uma realidade documental sem veracidade física...
RUI CALISTO
Ator, encenador, investigador e escritor.