O poder local em Portugal desempenha um papel central no funcionamento do Estado democrático, sendo dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. As câmaras municipais assumem responsabilidades significativas em áreas como urbanismo, ordenamento do território, contratação pública, gestão de recursos financeiros e políticas sociais. Embora a proximidade entre os eleitos e os cidadãos seja um elemento valioso da democracia, esta mesma característica pode originar vulnerabilidades institucionais quando não acompanhada de mecanismos adequados de controlo e supervisão. Entre os riscos mais relevantes destaca-se a concentração de poder decisório nos órgãos executivos, nomeadamente no presidente da câmara e nos vereadores, que, sem mecanismos de escrutínio eficazes, podem permitir decisões arbitrárias em domínios como atribuição de contratos públicos, licenciamento urbanístico ou gestão de património. A posição de um vereador, detentor de competências executivas especí...
RUI CALISTO
Ator, encenador, professor de Arte Dramática, escritor e jornalista.