Quando se fala do Prémio Nobel da Literatura , há um detalhe que quase ninguém fora do meio literário conhece, mas que, na prática, tem enorme peso. Para que um escritor entre verdadeiramente no radar da Academia Sueca, responsável pelo Nobel, é quase essencial que uma grande parte da sua obra literária esteja traduzida para sueco. Não é uma regra formal, dessas que se encontram num regulamento; é, antes, uma realidade pragmática: os académicos precisam de ler, reler, discutir, voltar a ler… e fazê-lo na própria língua torna tudo muito mais fácil. Por isso, quando um autor começa a ser publicado em sueco, diz-se — sempre com alguma prudência — que passou a existir uma pequena porta aberta. Uma possibilidade de que o seu nome circule mais intensamente no mundo literário da Escandinávia. Não quer dizer, claro, que o Nobel esteja à espera no fim do corredor; longe disso. Mas a porta abre-se, e isso já é alguma coisa. É aqui que entra António Lobo Antunes . O romancista português, au...
RUI CALISTO
Ator, encenador, professor de Arte Dramática, escritor e jornalista.