Comemorar o nascimento de Martins Fontes (1884-1937) é, como sempre, um prazer inenarrável. Ontem não foi diferente. Entre sonetos galantes e odes inspiradoras a tertúlia seguiu pelo caminho desejado. O ponto inédito e, para mim, muito emocionante, foi aquando da leitura de um dos Capítulos da sua Biografia (ainda inédita por um motivo simples: Não há, em Portugal, um editor com coragem de a publicar, pois está enfeixada em dois volumes que, juntos, chegam às 1.400 páginas) para uma atenta plateia e exigente.
Fico preocupado, com o atraso na sua publicação, simplesmente porque as referências originais acerca de Martins Fontes começam a dissipar-se, como prova temos os textos publicados recentemente em "A Tribuna" (de Santos), repletos de erros históricos e biográficos, que só podem ser sanados se essa Biografia estiver ao alcance das mãos de leitores e investigadores.
Aguardemos um editor corajoso!
Rui Calisto
Um dos amigos de quem sinto mais saudades é esse Senhor, cujo nome está em epígrafe. O seu percurso profissional mistura-se com a história do teatro brasileiro. O seu talento ombreia com o das divindades dos palcos, Leopoldo Fróes (1882-1932) e Laurence Olivier (1907-1989). A sua postura era ímpar, a de um cavalheiro, praticamente um aristocrata. Estava com 25 anos de idade quando o conheci, um ser ainda imberbe. Ele, com simpáticos 68. Gigante há muito. Respeitado, cultuado, um exemplo. Era carioca, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, numa quinta-feira, 7 de setembro de 1922. Muito influenciado pelo pai, Walter Autran (1891-1960), formou-se na Faculdade de Direiro do Largo de São Francisco, em 1945, desejando abraçar carreira na diplomacia. Não almejava ser ator, porém estreou como amador, em junho de 1947, no Teatro Municipal de São Paulo, com a peça “Esquina Perigosa”, de autoria de John Boynton Priestley (1894-1984), com direção de Silveira Sampaio (1914-1964). Infl...
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