Numa daquelas magníficas tertúlias culturais na noite lisboeta, fui confrontado com perguntas, para as quais não tive resposta: Porquê a Feira dos Frutos das Caldas da Rainha quase não tem fruta? Porquê tantos expositores de carros e de imobiliárias? Porquê o exagero de barracas de alimentação e bebidas? Porquê é realizada naquele parque? Porquê são cobrados bilhetes? Porquê se realizam os concertos também naquele recinto? Apanhado de surpresa, e sem ter o que dizer, limitei-me a dar de ombros. Pouco tempo depois, já em casa, comecei a pensar no assunto e cheguei à mais simples das conclusões: A Feira dos Frutos poderia ser a grande montra portuguesa, do que de melhor se faz na cultura simultânea de plantas hortícolas e árvores de fruto deste país, porém, ao invés disso, é apenas um local para algumas pessoas comercializarem os seus produtos, que, em sua larga maioria, não possuem nenhuma relação com o tema principal. Uma multidão vai à Feira dos Frutos? Sim, mas, fazem...
Ator, encenador, professor de Arte Dramática, escritor e jornalista.