Regresso das férias, mas a palavra “regresso” parece-me aqui um pouco enganadora. Não volto propriamente de um lugar estranho, daqueles que visitamos durante alguns dias e depois abandonamos com a sensação de termos fechado um pequeno parêntese. Estou a sair da minha segunda casa, de um lugar onde o tempo se demora de outra maneira e onde encontro alguns dos melhores dias da minha vida. A praia, excelente pela extensão, pela beleza e por aquela combinação de mar e horizonte que nunca consigo olhar como coisa já conhecida, tornou-se para mim um lugar onde gosto de estar, para onde vou sempre que quero. Contudo, o último dia é sempre desconfortável. Não é apenas deixar a casa ou interromper aqueles dias junto ao mar. É afastar-me, ainda que por algum tempo, de uma parte da vida em que me sinto particularmente inteiro. Ali, os dias parecem ter outra espessura. O relógio continua a cumprir a sua obrigação, naturalmente, mas nós nem sempre lhe obedecemos. A manhã ali começa devagar e muit...
Ator, encenador, investigador e escritor.