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A mostrar mensagens de junho, 2026

O estranho destino do psicólogo André

André vivia em Caldas da Rainha, cidade de águas antigas e memórias discretas, e trabalhava noutro concelho, onde era visto, por alguns, como um homem de raciocínio hesitante e de uma franqueza imprudente, como se a palavra se adiantasse sempre ao pensamento. Possuía o hábito de comentar tudo, como se o mundo fosse matéria legítima de observação constante, e de falar de quem não devia com uma leveza inquietante, como se as consequências pertencessem sempre aos outros. Expressava-se com a desenvoltura de quem acredita, sem grandes dúvidas, que a esperteza basta para o proteger dos incómodos do mundo. A prudência, virtude tantas vezes relegada para segundo plano, nunca lhe ocupou lugar de relevo. Na região circulavam murmúrios acerca de uma figura enigmática, quase sem contorno definido, a quem todos se referiam apenas como o Senhor do Anel. Uns atribuíam-lhe influência discreta, mas efetiva; outros viam nele uma presença difusa, uma espécie de poder que se exercia não pela força ...