Muito mais do que o baú de escritos, que mora ao lado de uma grande estante de livros, repousa em mim o cuidado pela existência da arca da minha memória.
Tenho uma facilidade enorme em enumerar os livros lidos e arquivados em minha memória biológica, será isso uma capacidade da reputação declarativa ou explícita? Será uma mais-valia do meu lobo temporal medial? O que me parece é que essa aptidão, no que toca à lembrança dos livros lidos, deve estar relacionada com a reminiscência semântica, inspirada pela base do conhecimento, inflada pelo trabalho e pelo estímulo. Serão, então, os livros lidos, os tijolos que erguem o meu Baú da Memória?
Estarei a construir uma fortaleza, inspirada na criatividade, excelsa extensão da minha própria condição humana?
O meu mundo, plasmado em Arte, é o meu reduto criativo, livrando minh’alma dos pactos, doutrinas e preceitos da sociedade. Tenho em mim uma enunciação criadora, consequência evidente da minha autonomia.
Muito mais do que o baú de escritos, que mora ao lado de uma grande estante de livros, vive em mim uma expressão geradora, conclusão inequívoca da minha Liberdade.
Um dos amigos de quem sinto mais saudades é esse Senhor, cujo nome está em epígrafe. O seu percurso profissional mistura-se com a história do teatro brasileiro. O seu talento ombreia com o das divindades dos palcos, Leopoldo Fróes (1882-1932) e Laurence Olivier (1907-1989). A sua postura era ímpar, a de um cavalheiro, praticamente um aristocrata. Estava com 25 anos de idade quando o conheci, um ser ainda imberbe. Ele, com simpáticos 68. Gigante há muito. Respeitado, cultuado, um exemplo. Era carioca, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, numa quinta-feira, 7 de setembro de 1922. Muito influenciado pelo pai, Walter Autran (1891-1960), formou-se na Faculdade de Direiro do Largo de São Francisco, em 1945, desejando abraçar carreira na diplomacia. Não almejava ser ator, porém estreou como amador, em junho de 1947, no Teatro Municipal de São Paulo, com a peça “Esquina Perigosa”, de autoria de John Boynton Priestley (1894-1984), com direção de Silveira Sampaio (1914-1964). Infl...
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