Depois de uma incursão por
alguns recantos de Óbidos pude reparar em determinadas “liberdades” no quesito
“construção”, especialmente em áreas próximas da Lagoa. É uma situação deveras
perturbadora, pois pode ser o mote para que, num futuro breve, diferençados pulmões
verdes deixem de existir.
O quadro político de Óbidos
deve permanecer inalterado nas próximas autárquicas, o que pode ser mau para a
mesologia local. A não ser que o candidato da Situação (PSD) - que não conheço
pessoalmente - tenha reflexos objetivos, e concretos, em relação ao valor
ecológico do concelho.
Há, ali, áreas que podem ser
qualificadas como protegidas, devido à sua tipologia. Duas entrariam na
classificação “Parque Natural”, uma como “Reserva Natural”, e outra como
“Paisagem Protegida”.
“A classificação de uma área
protegida visa conceder-lhe um estatuto legal de protecção adequado à
manutenção da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas e do património
geológico, bem como à valorização da paisagem.” (Regime jurídico da conservação
da natureza e da biodiversidade, decreto-lei nº 142/2008, artº12º).
Óbidos possui um património
verde que, se for defendido, pode ser uma mais-valia económica para todo o
distrito.
Não quero, evidentemente, que
se deixe de construir na vila de Óbidos, porém, as áreas devem ser limitadas, e
os espaços verdes valorizados, para bem do próprio concelho e, claro, das
gerações futuras. Os fundamentos essenciais nos conceitos de educação,
conservação e sustentabilidade ambiental, se forem colocados em prática
conscientemente, podem contribuir de modo significativo para o bem-estar
social, cultural, económico e ambiental de moradores e turistas, além de
permitir que o clima seja mais equilibrado num raio de ação maior.
Óbidos não é só o Castelo e a
Lagoa, e mesmo estes necessitam de, no seu entorno, espaços orgânicos, capazes
de os valorizar ainda mais.
A construção desequilibrada, e
vil, menospreza o ecoturismo, o que significa que a vila de Óbidos pode perder
uma fatia de mercado muito tentadora, pois esse mesmo turismo ecológico
movimenta (segundo a OMT – Organização Mundial de Turismo) quase 25% de pessoas,
a nível planetário, permitindo um faturamento líquido de mais de 260 mil
milhões de dólares. Para Óbidos integrar o conjunto de regiões que beneficiam
dessa benesse, seria necessário implementar uma real política de proteção
ambiental.
As grandes áreas verdes devem
ser peças basilares no puzzle do traçado e da gestão municipal, pois podem
representar uma panóplia de funcionalidades que permitem a diminuição do
impacto das inferências negativas das ações humanas. Uma dessas más práticas é,
sem dúvida, a autorização, por parte da autarquia, para que se construa
indiscriminadamente em locais que deveriam ser parques e/ou reservas naturais e
paisagens protegidas.
Harmonizar as estruturas
naturais com as construídas é uma das excecionais competências do século XXI na
gestão concelhia. Quanto mais cimento, betão e asfalto, menos qualidade de
vida.
Na década de 80, do século
passado, o Japão iniciou um projeto de reaproximação das pessoas à natureza,
para isso desenvolveu o Banho de Floresta (shinrin-yoku). Qing Li, médico
imunologista, diretor da Sociedade Japonesa de Medicina Florestal, um dos mais
proeminentes estudiosos desse assunto, diz que: “Somente frequentando bosques,
florestas e parques naturais é que o ser humano atual pode combater uma das
grandes epidemias do nosso tempo: O stress”.
Construir em Óbidos? Sim. Mas
com total respeito ao meio ambiente. E, já agora, utilizando ferramentas como o
“Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – Cidades e Comunidades
Sustentáveis”, assim podemos pensar nas pessoas de modo sincero, e não apenas
como legenda de ocas campanhas políticas.
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