Leio, nos jornais caldenses,
que a Câmara local pretende requalificar os imóveis em mau estado, através do “Regulamento
Municipal da Reabilitação e de Apoio ao Arrendamento”, recentemente aprovado.
Pois bem, uma excelente medida, porém, com décadas de atraso.
Desde os anos 80, do século XX,
que a região central das Caldas da Rainha vem sendo alvo de desmanche. Inúmeros
foram os edifícios, e casas, com acentuado “peso arquitetónico” que foram derrubados,
outros deixados ao abandono, com o propósito de se tornarem apetecíveis para os
inúmeros construtores do concelho.
O burgo poderia ter-se expandido (como, aliás, vem acontecendo) em
direção aos seus limites (mantendo determinadas áreas verdes e o respeito pela
biodiversidade), sem agredir o seu núcleo histórico. Basta olharmos para a
praça da República e para determinadas ruas, para compreendermos os erros que
foram cometidos.
Neste momento, como existe um
grito popular a favor da recuperação dos edifícios que narram a gesta arquitetónica
caldense, como efeito dominó, surge uma acentuada preocupação em salvá-los.
Com o passar dos anos, se subsistisse,
de facto, algum interesse em recuperar os imóveis devolutos, estariam, desde
tempos imemoriais, em cima da mesa de todos os gabinetes camarários, inúmeros
projetos e planos concertados (e rapidamente executados). Seriam, também, um
dos grandes pontos de discussão em todas as sedes partidárias, da Esquerda à
Direita, e não foi o que se viu.
Em janeiro de 2018 apresentei
na Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Caldas da Rainha – N. S.
do Pópulo, Coto e São Gregório, a proposta “Edifícios Históricos: Cultura e
Turismo” (aprovada por unanimidade, e encaminhada para a Assembleia Municipal).
Nesse documento reivindico a necessidade de se iniciar a recuperação do acervo
edificado que possui “robustez” memorável para o concelho. Em determinado ponto
do mesmo pode ler-se que “Todo o património imobiliário de uma aldeia, vila ou
cidade, representa um acessório valioso da comunidade a que pertence, podendo
ser igualmente um polo diferenciador de atratividade turística, sendo,
portanto, extremamente necessário garantir a preservação, a valorização e a
divulgação desse mesmo património, através de todos os meios legais existentes.
Caldas da Rainha encerra, além
dos imóveis já citados, um conjunto de edifícios que deveriam ser catalogados e
recuperados, para o bem da identidade arquitetónica local, e que são o
verdadeiro demonstrativo da época em que foram construídos (…) Já em relação ao
património imobiliário devoluto, a autarquia deve apressar-se – utilizando os
meios legais - e tratar da sua recuperação, para o bem da comunidade, pois, em
alguns casos, o abandono de imóveis constitui-se num problema de segurança
pública.
Recuperar e preservar o
património imobiliário de Caldas da Rainha significará uma mais-valia para o
turismo e, consequentemente, para o comércio, gerando riqueza e inaugurando
inúmeras possibilidades de criação de postos de trabalho, trazendo, inclusive,
benefícios culturais, sociais e quiçá ambientais para todo o seu território, e
levando o nome deste concelho para distâncias inimagináveis.”
Três anos e meio se passaram
sobre a referida proposta, a boa nova do surgimento do apoio para a
reabilitação dos edifícios privados desponta agora, em ano de eleição (não
podemos esquecer que a maioria dos candidatos à Câmara Municipal faz ainda
parte de determinados organismos autárquicos, portanto, dentro dos assuntos e
com hipótese de decisão durante estes quarenta e dois meses de mandato).
Segundo a matéria, agora publicada
nos dois jornais, existem “cerca de 400 edifícios com necessidade de
reabilitação…”. Como deixámos chegar a este ponto?
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