Cumpre-me
começar por agradecer à Fundação António Quadros, ao Instituto de Filosofia
Luso-Brasileiro, bem como a Mafalda Ferro e a Renato Epifânio, o amável convite
que me dirigiram para participar neste colóquio e para aqui partilhar algumas
reflexões em torno de D. Manuel II, o
Desventurado.
Associo-me
com particular gosto a esta sessão evocativa, tomando como ponto de partida um
texto que, para além do seu inegável interesse biográfico e histórico, permite-nos
entrever aspectos significativos da sensibilidade literária do seu autor, do
seu olhar sobre as personagens da História e da rara capacidade narrativa com
que procurou restituir vida a tempos já remotos.
Ao
concluir estas breves considerações, creio poder afirmar que D. Manuel II, o Desventurado permanece
como um testemunho particularmente expressivo de uma escrita onde a
investigação histórica se alia à intuição literária. Mais do que reconstruir um
destino singular, o autor procurou captar uma atmosfera, compreender um caráter
e revelar a dimensão humana de uma existência marcada pela adversidade.
Regressar
hoje a estas páginas é reencontrar uma ideia de cultura assente na memória, na
imaginação e no exercício da inteligência. Num tempo frequentemente dominado
pela urgência do instante, livros desta natureza recordam-nos que o diálogo com
o passado continua a constituir uma das vias mais fecundas para compreender o
presente.
Passadas
sete décadas sobre a morte de António Ferro, talvez a homenagem mais justa
consista em manter viva a conversa com os seus textos, voltando a eles sem
preconceitos nem fórmulas consagradas, para neles descobrirmos novas
perspectivas e novos motivos de reflexão. Tal é o destino dos escritores que
ultrapassam a sua época: continuam a interpelar leitores de gerações sucessivas
e conservam intacta a capacidade de suscitar pensamento, curiosidade e diálogo.
Muito
obrigado.

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