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Mensagens

As polainas do Senhor Pierre

Quando desci para comprar o jornal, o Quartier Latin estava ainda embaciado, com aquele jeito outonal que nos faz desejar mais algumas horas de bom sono.   Minutos depois, ao estender a mão para pagar o exemplar do Le Figaro , dei por mim a admirar as polainas do Senhor Pierre. De imediato, fiquei na dúvida se o que ficara perdido pelos séculos XVIII e XIX seria o bom gosto do meu vizinho ou o meu olhar.   Ali estavam elas, de couro, com o objetivo de proteger os sapatos do cavalheiro, belas, remetendo a imaginação para os romances e os poemas que brotaram na Belle Èpoque , um período delimitado por intensas evoluções culturais que se expressaram em modernos processos de refletir e nutrir o dia-a-dia, tanto em França quanto no Brasil. Uma época áurea, constelada, em estética, em inovação, em talento literário. Um período em que a mente pervagava pelas páginas de Henri Murger, Baudelaire, Balzac, Anatole France, Émile Zola, Verlaine, Mallarmé, Oscar Wilde, ...

Hermínio Maçãs: O Idealista Erudito

Em março de 1974, um homem de porte atlético, galantemente vestido com uma impecável farda branca, abraça-me à minha chegada ao aeroporto de Luanda, Angola.   O mesmo homem que nove anos antes fora testemunha do meu batizado, e eu, pequeno e inconsciente rebento, naquele mesmo dia, o fui do seu casamento, em Santos, Brasil.   Quando, na terra de José Malhoa, às 10:15 horas, do dia 18 de setembro de 2013, o coração desse homem decide encerrar a sua jornada na Terra, termina também ali o percurso de uma vida repleta de Honestidade, Idealismo e Perdão.   Hermínio Maçãs foi um Puro! Todo o seu percurso, nos campos profissional e pessoal foi recheado de loas à vida e de ajuda ao próximo.   Formado em Filosofia, em 1958, aquele jovem seminarista aproveitara bem todo o seu trajeto estudantil na adolescência, dedicando-se também à Música Erudita e ao Latim. Assim, quando entra na Faculdade de Direito de Lisboa no ano de 1961 era já um rapaz respei...

O cachimbo

A manhã começa serena neste meu tugúrio secreto do Quartier Latin. A sensação de imortalidade da alma surge a par do desejo de perceber um pouco mais da razão de existir. Por isso o anseio de paz e silêncio. Por isso a necessidade de pensar e refletir. Por isso o querer compreender o Ser, enquanto se desenvolve o Estar. Sento-me diante do vidro baço da janela, escutando Deus, encarnado em homem, através da ária So oft ich meine Tobackspfeife , o que me desperta a vontade de reencontrar-me com o meu velho Calabash . Encontro-o em repouso de semanas e, após alguns minutos deixo-o pronto para o deleite. O tabaco a ser utilizado deve ser sempre aquele cuja composição inclua uma mistura proveniente de quatro continentes, a sua textura, coloração e contraste, devem ser únicos e, para sabermos se o que possuímos está nesse patamar, usamos o olfato, aprimorado depois de anos de habituação, para concluirmos e decidirmos sobre qual saborear. Convém termos em casa três tipos de tabaco, ...

DIREITOS DE AUTOR

  Aviso aos mais incautos: Todos os textos de minha autoria estão protegidos pelas respetivas leis do Brasil e de Portugal. Quaisquer cópias, parciais ou integrais, e/ou reprodução de textos meus em outros meios eletrónicos e/ou impressos, só podem ocorrer se forem previamente autorizadas por mim. As citações, por ética, devem ser acompanhadas de referências bibliográficas completas.   Desde já, agradeço "ao espertinho" que tentou plagiar-me. Encontramo-nos na barra de um tribunal.   Agradeço, também, a compreensão de todos os amigos/leitores e, por favor, peço que não levem a mal esta mensagem, pois, naturalmente, não é dirigida a vós.   Com os meus melhores cumprimentos,   Rui Calisto

Elegância no Quartier Latin

  Nesta manhã deliciosamente quente, Natália, a doce e elegante advogada e estilista, proprietária deste blogue de moda, toca à campainha do amplo apartamento, encravado no Quartier Latin, em Paris. É um alvoroço. Todos se manifestam loucamente e, entre beijos e abraços, anunciam as saudades, reciprocamente atiradas ao ar abafado que se faz sentir. O rio Sena, testemunha muitas vezes secular, observa à distância, o movimento que as figuras apresentam entre janelas imensas. Os artistas e estudantes nas imediações não esticam pescoços, permanecendo cegos das cenas que se reproduzem ali. Se o fizessem veriam uma mulher deslumbrante a flanar levemente por toda a sala, pousando de janela em janela, analisando do alto de suas belas pernas toda a vida deste bairro boémio e sonhador. Quando os seus olhos azul-céu vislumbram a Sorbonne, a vetusta Universidade fundada no século XII, algumas lágrimas caem, cada uma mergulha numa profundidade medieval, banhada em latim puro e...

José Saramago - As Intermitências da Vida

Foi com muita alegria que no dia 21 de junho, às 21 horas, apresentei, na Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo , nas Caldas da Rainha, a convite de Maria Teresa Serrenho, o meu ensaio sobre a obra literária de José Saramago. Esse livro fora lançado em 2010, na Casa Fernando Pessoa em Lisboa, com a mesa de honra composta pelos distintos: Ruy de Carvalho, Annabela Rita (autora do prefácio) e Paulo Mira Coelho, e não ocorrera ainda em solo caldense devido ao excesso de apresentações nas mais diversas livrarias das mais variadas cidades de Portugal, incluindo as das duas redes mais conhecidas. Em Caldas da Rainha, a sessão contou com a moderação do Professor Doutor Amílcar Couvaneiro, cujas palavras sensibilizaram-me profundamente, e a plateia, estava formada pela fina flor da cultura local, o que muito me honrou. Por mais de uma hora pude dissertar sobre a obra literária do primeiro Nobel de Literatura em Língua Portuguesa, por mais de uma hora pude ouvir com atençã...

Apresentação literária

Amigos. É hoje, às 21 horas, na sede da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, em Caldas da Rainha, o "bate-papo" em torno deste livro, que foi lançado em 2010 e apresentado, posteriormente, em mais de 400 locais (livrarias, bibliotecas, fundações, museus etc.), de norte a sul do país. Gostaria de os ver por lá. Cumprimentos.