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Mensagens

José Rui Faria de Abreu

  Existem amigos que, quando partem para os confins do Desconhecido, nos deixam uma lacuna na alma, difícil de preencher. Foi o caso do Faria de Abreu. O primeiro contacto que tive com ele foi em Coimbra, no ano de 2001, quando fui obrigado a levar o meu pai, em consulta oftalmológica, de urgência. Após aquele dia, travamos uma salutar amizade, com vários telefonemas em diversos períodos nos anos que se seguiram, e até inúmeras visitas aquando das minhas várias passagens pela Terra dos Estudantes. Os colegas diziam que ele era o melhor oftalmologista de Portugal, a Universidade de Coimbra tecia-lhe elogios e louvores, os pacientes – o meu pai incluído – diziam que ele era um médico respeitador e dedicado. Eu digo, simplesmente, que ele era uma figura humana sensível, logo, alguém que compreendia o valor da amizade. José Rui Faria de Abreu faleceu na manhã do dia 27 de novembro de 2012 no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra , aos 67 anos de idade,...

Traços Imprecisos

Esta manhã tive uma conversa séria e objetiva com um par de calças. Fui obrigado a dizer-lhe uns quantos impropérios, coisas que nem ouso escrever aqui, pois não sei a idade das pessoas que poderão ler estes rabiscos. Confesso que não foi um diálogo nada fácil. Comecei por apontar-lhe alguns defeitos, como o de rasgar, além da conta, nos joelhos, depois da última ida à máquina de lavar. Sobre isso, ouvi uma resposta seca, do tipo “já me compraste rasgada”. E eu, sem titubear, fui obrigado a dizer-lhe que se não fosse o raio da moda que me obrigaram a meter goela abaixo, com certeza, não as compraria. Fui, imediatamente, chamado de volúvel, e de ser facilmente manipulável. Fiquei irado. Não bastava uma voz feminina a encher-me a cabeça, todos os dias, com o raio da moda, agora tenho que aturar, também, um par de calças insolente. Quando alguém começa a irritar-me, dificilmente consigo olhar com bons olhos a nossa convivência, aliás, raramente o dia-a-dia volta a ser de equilí...

Sua Majestade Imperial Dom Pedro II

Existem pessoas que passam pelo planeta Terra e não deixam nenhuma marca, isso deve-se à pequenez das suas atitudes, das suas ações e dos seus pensamentos. Outras deixam algum mediano vestígio digno de recordação. E, apenas um pequeno número deixa uma mensagem intensa, forte e vibrante, que é impossível não estar sempre a citá-las como exemplo em nossas próprias vidas. Para mim, entre tantos que poderia aqui destacar positivamente, aponto o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga , conhecido por todas as monarquias do mundo como D. Pedro II.   O Grande Imperador nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1825. Filho de Dom Pedro I ( Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon ) , do ramo brasileiro da Sereníssima Casa de Bragança, e da Arquiduquesa Maria Leopoldina...
    O meu querido amigo Ruy de Carvalho mostra-se indignado com o facto de ter recebido uma carta das Finanças a indicar que ele já não é considerado um "Artista", passando a sua categoria a simples "prestador de serviços", perdendo direitos conexos e de propriedade intelectual. Sim, devemos ficar indignados. É digno de revolta. Porém, era um cenário previsível, pois investindo na política neoliberal como se investe desde há muito, é natural que esse tipo de injustiça aconteça. E stou ao lado de Ruy de Carvalho (sempre), mas, estou também ao lado de todos os desempregados, de todos os que passam fome, de todos os que perderam as suas casas, de todos os que são obrigados a sair de Portugal, devido, única e exclusivamente ao facto de existirem governos, passados e presente, que investiram, e investem, as divisas da nação a sustentar vícios políticos e a alimentar a corrupção que se conhece. Políticos que espalham a sua soberba, a sua arrogância e o seu claro e ...

O que é a moda, senão aquilo que fazemos dela?

  O ato de vestir-me todos os dias é um ato de saturação mental. Não consigo compreender como alguém pode ter prazer em passar horas diante de um espelho a experimentar esta ou aquela peça. Isso enerva-me de tal modo que, sem apoio, seria capaz de rasgar tudo o que estivesse a provar. Para mim, o óbvio é olhar para o guarda-roupa e vestir-me pensando apenas no básico: uma boa combinação de cores. Sempre primando pela discrição. O ser discreto é fundamental para não ser alvo de olhares menos bons. Creio que, se desejamos ser “espampanantes” no vestir, devemos fazê-lo no Carnaval. Período do ano em que podemos passar por “pessoas divertidas”. Quer dizer… por favor, não me interpretem mal, afinal, garanto-vos que sou uma pessoa divertida, mas creio que isso só se percebe num jantar, rodeado daqueles que amo e, naturalmente, com um tinto de qualidade a “molhar a goela”. Lembro-me, com uma certa saudade, das calças “boca-de-sino” dos anos setenta no, logo longínquo, sécul...

Habemus Papam

Não é um devoto que vos escreve. Nunca fui devoto de nenhuma religião. Admiro profundamente uma série de homens e mulheres que dedicaram a sua vida a grandes causas, especialmente aquelas que podem mudar o coração do ser humano, para melhor. Não trato como santos aqueles que para mim apenas fazem o que todo o indivíduo deveria fazer: distribuir caridade, bondade e fraternidade. Não são santos, mas são pessoas que merecem todo o meu respeito e admiração. Francisco de Assis é um deles, Jesus Cristo outro e, se deixar a mente procurar nas lembranças, creio que posso vos dar uma centena de nomes, tanto ocidentais quanto orientais. Verdadeiros espécimes que a Sabedoria e a Razão plantaram em nosso castigado planeta. Deus, para mim, é Sabedoria e Razão. Nem homem, nem mulher. No dia do meu nascimento, a minha mãe ajoelhou-se na Capela Santo António, na Sociedade Portuguesa de Beneficência , em Santos, e pediu por um bom parto. Quinze dias depois, fui batizado na Paróquia I...

A moda no século XVIII

Uma renovada conceção de pensamento, sobrevinda do Iluminismo, aliada às manifestas ligações artísticas ao Barroco e ao Rococó marcam profundamente o século XVIII (1701-1800) na Europa. Podendo, esse, ser retratado, inclusive, como um período possuidor de uma aristocracia inútil, que levava uma vida excessivamente sumptuosa e fútil. No que trata à moda, aquela época, mais precisamente até 1780, vinha mantendo a tradição de produzir tecidos e roupas através de meios artesanais. Foi nesse mesmo século XVIII que a França passou a ditar a moda europeia. O excesso de pó de arroz, de muitos brilhos, de perfumes e de perucas cacheadas tornaram-se símbolos a serem respeitados e imitados por aristocratas de outros países, e apenas por aristocratas, por que o comum dos humanos não possuía possibilidades financeiras para se “emperiquitar”. Curiosamente, apesar de todo o luxo, os nobres franceses não tomavam banho, logo, os perfumes passaram a ser importantes na higiene diária, c...