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Mensagens

Arte musical do Ocidente

    Refletindo um pouco acerca da música que enlevou algumas regiões do nosso planeta em tempos idos, vêm-me à memória diversos e inauditos temas, entre eles os do período medieval e renascentista, aquando do surgimento da monodia, no século VII. Embora sejam conhecidos, pelos investigadores mais abalizados, determinados cantos eclesiásticos, com melodias simples, criadas nos séculos III e IV e alicerçados nos recitativos da liturgia das primas gerações de cristãos (uma cantilação dos Salmos), que medraram através de distintas liturgias galicianas, moçarábicas, aquilenenses, beneventanas, ambrosianas e romanas, foi devido ao entrelaçamento do epinício romano antigo com a ária galiciana que surge o canto gregoriano, fixado por São Gregório Magno (540-604) numa coletânea de peças publicadas em dois livros, o Antifonário (somatório de melodias concernentes às Horas Canónicas) e o Gradual Romano (retendo os cantos da Santa Missa). Foi, também, esse antigo Papa que deu início à...

Para que serve a Cultura?

Recentemente desfrutámos da excelente notícia da criação da Biblioteca António Lobo Antunes, na freguesia de Benfica, em Lisboa, a ser instalada no antigo edifício da Fábrica Simões (Simões & Cª Lda., 1907-1987). Depois da recuperação do imóvel, abandonado por mais de trinta anos, o seu destino só poderia ser o cultural, desejo antigo dos moradores de uma freguesia que conta com, aproximadamente, 37 mil pessoas, e possui, também, dois outros importantes espaços, o restaurado Palácio Baldaya (com uma excelente biblioteca) e o Auditório Carlos Paredes. Esse novo polo deverá ser inaugurado no ano de 2024, com a totalidade do espólio literário doado pelo citado autor à cidade de Lisboa, ocupando dois pisos, numa área total de 1.850m2, além de ser dotado de um recinto multiusos com uma galeria de arte e, ainda, o “Espaço António Lobo Antunes”, no conjunto, será uma estrutura que dignificará o nome de um dos melhores escritores europeus e valorizará, ainda mais, a Capital de Portugal...

Salutar comparação

  Quando leio determinados jornais da região Oeste, deparo-me com um rol de informações, fornecidas pelas Câmaras Municipais, que são capazes de convencer, apenas, os mais distraídos. A maioria dessas comunicações está no patamar do “prometemos fazer”, o que causa grande expectativa a toda a comunidade. Depois, como não há cobranças, como nenhum leitor se importa com o que vem a seguir, essas “novidades” caem no esquecimento, não saindo sequer do papel. Dentro de um órgão autárquico, o mesmo já não deveria acontecer. Todas as Propostas apresentadas em Assembleia, tanto de Freguesia quanto Municipal, deveriam ser executadas depois de aprovadas, pelo bem dos munícipes. Infelizmente não é o que se vê. Como exemplo acerca do que estou aqui a explanar, refiro que uma das minhas Propostas, apresentadas na União de Freguesias de Caldas da Rainha – N. S. do Pópulo, Coto e São Gregório, no ano de 2018, abordava a possibilidade de que o Parque D. Carlos I tivesse o estatuto comparado a...

Associação Protetora dos Pobres

  O organismo citado em epígrafe foi inaugurado no dia 2 de maio de 1889, no Funchal, Ilha da Madeira, e nestes 133 anos de existência vem servindo, com ânimo, correção e honestidade, a comunidade carente de toda a região. É uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social de Utilidade Pública, sem fins lucrativos), e todo o seu trabalho centra-se no apoio aos escalões sociais mais necessitados, ajudando na mudança de hábitos de vida, na prevenção das situações de abandono e de mendicidade, na integração dos desvalidos no campo social, no auxílio à busca de emprego e na inserção habitacional. Tudo sendo disponibilizado de modo gratuito para quem necessita de assistência. A região Oeste de Portugal similarmente possui um histórico de apoios sociais deveras interessante, porém, atualmente, principalmente nas Caldas da Rainha, a prática não corresponde à propaganda que se faz. Desconhece-se se existe uma Equipa de Rua, constituída por um psicólogo e uma assistente social...

Poe jantou lá em casa

  A sineta do portão fartou-se de tinir. A criada, uma dinamarquesa espadaúda, loira, de olhos muito azuis e ar de matrona, foi expedita a atender, porém, cansou-se de resmungar certas palavras que não ouso aqui referir. Em poucos minutos eis que chega o convidado. Semblante carregado, não sei se devido ao bigode mal aparado ou ao cabelo em desalinho, o olhar ligeiramente confuso, e a respiração ofegante. Parece muito velho, contudo tem apenas 38 anos de idade. Convido-o a entrar. Sentamo-nos nas poltronas, junto à grande janela. Repentinamente, um corvo pousa no parapeito, o seu olhar é calmo, mitológico. Não foi à toa que fora consagrado a Apolo, Deus da Luz e do Sol. Levanto-me. Coloco Creedence Clearwater Revival no toca-discos e vou buscar diversos livros de autoria do meu convidado. Os mais conhecidos são dedicados ao género gótico, encostados a um romantismo nebuloso e inquietador. Trago o que tenho, ou seja, tudo. Incluindo as sátiras, os embustes e os contos de humo...

Qual o sentido da vida?

  Lembre-se: você morrerá. Alguém, um dia, poderá ter o seu crânio nas mãos. Mesmo que não tenha nascido Yorick, o falecido bobo da Corte citado pela primeira vez na cena I do Quinto Ato de Hamlet , você será a personificação do Nada Absoluto, que transmitirá cadavericamente o memento mori da personagem. Portanto, pense em qual o sentido da sua vida, caro leitor. A vaidade terrena nada vale diante da transitoriedade da existência, sendo o seu desaparecimento material algo inevitável. Já a sua memória espiritual depende somente dos seus atos presentes. É irrevogável: você morrerá. Nada restará para a filosofia, por isso apegue-se à religião, o único farta-brutos que consola o vazio. Mas lembre-se: até a vacuidade da sua crença será farelagem, pois ela, a fé, nada mais é do que uma esperança em algo não palpável. Um dia, nem o seu túmulo será respeitado. Tudo se apagará diante do pó dos seus ossos. Por isso, amealhar, desesperadamente, o vil metal, prejudicando o seu semelhante, só...

Na rua do jogo da bola

  Fazia frio. Algumas pessoas caminhavam serenamente pelas vias próximas, num ir e vir de afazeres diversos. Casacos ajeitavam-se. Mãos eram sopradas, para alívio das articulações, porém, pouco durava o aconchego. O rapazola levantara-se da cama em honra ao galo que cantou a plenos pulmões, despertando os seus sentidos em direção a uma paixão juvenil. Um encontro fortuito, acoberto de olhares fugidios, entre tábuas de janela rasa. Dois goles de café e meio pão com manteiga. Dentes escovados. Cabelo penteado. Jeans justos às pernas, sapatos de bico fino, casaco de couro sobre t-shirt branca cravejada com a estampa dos Quatro Cavaleiros de Liverpool. Já perto da casa da amada, os dedos vascolejam o cabelo rebelde, deixando-o ainda mais revolto. Ao entrar na desejada rua reparo que a circulação não era a habitual. Um sinal de que algo fugira da cansativa rotina de todos os dias. Olhares apreensivos, esgares, lágrimas, movimentos negativos com a cabeça. Uma pequena multidão p...