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Mensagens

Dinossauros no Oeste

  Não, não estou a referir-me a nenhum político perpetuado no cargo. Cinjo-me apenas aos animais ornitodiros, do ramo clado Dinosauria, que habitaram o nosso planeta, no Jurássico Superior, há aproximadamente 150 milhões de anos. É de louvar o incansável trabalho, de diversos paleontólogos portugueses e estrangeiros, de tentar resgatar essa importante fatia da história antiga, principalmente na região da Lourinhã. Porém, creio que com alguma diligência, por parte da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, seria também possível avançar com uma concertada investigação na extensa área da Serra do Bouro (até Salir do Porto), onde se encontra uma jazida de icnitos (pegadas subdigitígradas de grandes e pequenos terópodes, marcas de mãos de saurópodes e um trilho bem delineado de rastos de saurópodes), com uma idade compreendida entre os 157 e os 152 milhões de anos. A Bacia Lusitana/Lusitaniana, de Aveiro ao Cabo Espichel, goza de uma imensa riqueza em vestígios desses seres magnífi...

Campanha Permanente de Incentivo à Arborização

  O Executivo da Câmara Municipal das Caldas da Rainha - para aumentar a biodiversidade e promover a melhoria da qualidade de vida dos moradores, transeuntes e turistas - poderia começar a pensar em propagar a cobertura vegetal arbórea do centro da cidade, instaurando a campanha anunciada em epígrafe. Para tornar essa proposta viável deveria ser criada uma secção camarária (Divisão de Arborização Urbana) responsável por elaborar e executar um mapa de plantio em ruas, avenidas e praças. Essa resenha técnica poderia, também, englobar construtores, engenheiros e arquitetos, para que estes adicionassem percentagens de áreas verdes aos seus futuros projetos. Com o correr das décadas, a Mata Rainha D. Leonor, o Parque D. Carlos I, e o novo parque de Santo Onofre não serão suficientes para a promoção de altos padrões de oxigénio em toda a região central (daqui a cinquenta anos, uma área muito mais alargada será considerada o centro nevrálgico da cidade), sendo, portanto, urgente que...

Associação Mutualista Montepio – Rainha D. Leonor

  Vejo com muito bons olhos a eleição que se aproxima na corporação acima descrita, e o motivo é simples: É urgente reafirmar aquela Instituição perante a sociedade, pois, a mesma, vive uma acentuada pasmaceira. Para conseguir sair do quase ponto de não-retorno em que se encontra, as mudanças devem ser profundas, passando por eleger um novo grupo de trabalho à frente do destino daquela Casa. Essa Associação Mutualista, de vital importância para Caldas da Rainha (e não só), estagnou, parou no tempo, o que gerou uma visível degradação nas suas instalações e uma lastimável prestação de serviços na Casa de Saúde. Inconcebível para uma estrutura com aquela envergadura. A Lista B, cujo candidato à presidência do Conselho de Administração é o Dr. Francisco Rita, possui (bem como os outros nomes constantes da mesma Lista – “Por um Novo Montepio”) qualidades de sobra para revigorar aquela Associação, modernizando-a e oferecendo novamente qualidade no atendimento aos utentes. A Assoc...

A Candidatura de Óbidos a Património da Humanidade

  Nos anos 90, do Século XX, diversos estudos - realizados por especialistas, por iniciativa do município, e com promessa de apoio por parte do Governo – previam a Candidatura de Óbidos a Património Mundial reconhecido pela UNESCO. As ruínas romanas de Eburobrittium, a Lagoa de Óbidos, a classificação de Monumento Nacional, a riqueza do centro histórico, a magnificência do Castelo, a grandiosidade da escola de pintura barroca, fundamental em todo o Barroco português, são alguns dos imperativos importantes para que esse desejo se torne realidade, porém, até hoje a engrenagem não avançou, pois é acentuado o desinteresse da autarquia em tal promoção. Óbidos possui vestígios e elementos suficientes que confirmam a sua particularidade e a sua importância nos quesitos História e Património, o que significa que, por puro descaso político não se prosseguiu ainda com essa candidatura. Se há culpados, estão em todos os lados, da Esquerda à Direita, porém, naturalmente, a maior fatia p...

Da amurada do castelo

    Lembro-me (tinha dez anos de idade) de estar com o meu avô Manuel dentro das muralhas do castelo de Óbidos, numa tarde de folguedo e bem-aventurança, daquelas que só os avós sabem dar, e começar a fazer-lhe perguntas acerca de Reis e Rainhas, e ele, com toda a propriedade, do alto daquele monumento, que era seu por nascimento e amor, começando a desfiar um rosário de contas medievais, descreveu batalhas e lendas. Esfiando conta a conta, ensartando o seu colar imaginário, a sua modulada voz ia e vinha na descrição de aventuras, não esquecendo o nome dos heróis ou dos invasores, nem dos povos que ajudavam nas pelejas. A minha fértil imaginação via as cenas em catadupa. Quantos cavaleiros, de capa e espada em punho, ergueram o reluzente metal a alturas tenebrosas e, quando os seus braços vinham por aí abaixo, num feroz e certeiro, golpe no horizonte, deitavam por terra desavisadas cabeças. Os gritos, as fúrias, o sangue a manchar corpos, todos os instantes de um possí...

Bem-aventurada primavera

  A região Oeste resfolega ao sol. Traz à memória, e à alma, uma satisfação emocional idêntica àquela que senti no Brasil, ou em África, em momentos pré-pandémicos - e que, quando esta tormenta for história do passado, voltarei a sentir, pois assim rezam os afazeres profissionais. Quem já esteve no Brasil, ou num país africano, aquando da chegada desta estação encantatória - que permite aos olhos o deslumbre das cores, e ao olfato a satisfação dos aromas - sabe exatamente o que quero dizer. A alma renova-se e o corpo deixa de ter aquele ar bafiento que o inverno atira por sobre nós. Alguns ficam nostálgicos, relembrando as brincadeiras pueris e as correrias em relva verde entrecortada por pequenas margaridas, em companhia dos amigos de uma infância despreocupada e febricitante. Outros recordam antigos passeios, em confraria com os parentes do coração, aqueles cuja fotografia estamos sempre a admirar e a pedir a um deus desconhecido que os proteja e ampare. Infelizmente há...

Diário de um corpo sem memória

  Fernando Correia - um dos mais respeitados profissionais da comunicação social em Portugal - esteve recentemente nas Caldas da Rainha, numa rádio local, a falar acerca do seu mais novo livro, cujo título pode ler-se em epígrafe. Nele, o autor que nos acostumou - através da sua voz aveludada e bem colocada - a ouvir prazerosamente relatos de futebol, traz-nos uma realidade emotiva, dolorosa, vivida na primeira pessoa. Uma diegese que nos faz pensar na vida (na nossa e na de quem está ao nosso lado), na dele e na da Vera, a personagem principal. Fernando e Vera, dois padecentes que não estão sós, pois tiveram filhas, e estas lhes deram netos, seres humanos saudáveis, com corações latejantes de amor pela mãe já avó, que, infelizmente, por ironia de um fadário ímpio, é incapaz de o perceber, de o sentir, de sequer o sonhar. Uma senhora que desconhece as suas próprias emoções, com uma vida que paira num éter nebuloso, com uma palavra que não ecoa no quarto, com um coração que...